Cada um com seu (próprio) jardim

E, de repente, quando a gente menos percebe, está observando (e analisando) o vizinho através de nossas janelas {não fique triste, perdi meus últimos cinco minutos olhando para o apartamento ao lado enquanto enchia meu copo de água} e, consequentemente este olhar resulta em julgamento e comparação. É inevitável. Questionamentos e suposições irão aparecer e quase sempre não teremos as respostas as quais procuramos.

Porém, a pergunta mais importante é: porque temos tanta curiosidade em olhar? Afinal, o que estamos procurando? Será que falta tanta coisa em nossas vidas que precisamos buscar no terreno do outro aquilo que não nos pertence?

Acho que temos essa mania de considerar a felicidade algo que pode ser medido, comparado ou disputado. Se observo meu vizinho através da minha janela e vejo que este é feliz, o que me faz acreditar que sua felicidade é maior (ou menor) do que a minha? Talvez seja algum problema em minhas janelas. Talvez elas estejam com os vidros sujos que só consigo enxergar o meu vizinho. Ou talvez o problema seja comigo, que não tenho olhos para enxergar além do meu horizonte.

A gente olha a grama do vizinho e acha que ela é sempre mais verde que a grama de nossa casa. Que grande erro! A verdade é que nossa “espiadinha por cima do muro” não é capaz de enxergar tudo o que o nosso vizinho passou para que sua grama fosse verde daquele jeito brilhante, saudável e macia. Não sabemos que caminho nossos vizinhos percorreram para chegarem até ali; o quanto tiveram que adubar a terra, o quanto de água, fé e paciência precisaram colocar em seu jardim para que ele prosperasse. E acredite: nunca é tão fácil e bonito quanto parece…

E enquanto a gente julga a felicidade e a grama dos outros, deixa de olhar o nosso próprio jardim. Certamente ele precisa ser cuidado também, com amor e dedicação, para que possamos colher bons frutos de uma árvore saudável e em uma grama verde. Nem mais nem menos que a do vizinho; simplesmente nossa grama, do nosso jeitinho. Isto sim é felicidade. Sem comparações, paradigmas ou clichês; cada um à sua maneira e suas crenças.

Porque enquanto a gente deixar nosso jardim de lado para observar o do vizinho, dificilmente teremos flores para colher na próxima estação.

E o seu jardim, como está?

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Foto tirada em maio de 2013. Beco do Batman, São Paulo.

    Paulista de sotaque e raízes caipiras. Aquariana, corinthiana, administradora, eterna romântica e dona de casa amante de panos de prato, potinhos e canecas. Um pouco fotógrafa, aprendiz de escritora, cozinheira em evolução e sempre otimista. Dramática e criativa, atravessando os 30 com histórias [quase] normais.

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