Uma pausa

Mesa para um

Sou solteira à beira dos 30 anos, morando sozinha e longe dos pais. Aquele clichê de Natal em que as tias sempre perguntam “onde estão os paquerinhas”, quando vou apresentar um namorado e sempre aquele alvo dos olhares desconfiados ao empurrar o carrinho do mercado apenas com lasanha congelada e papel higiênico.

Não tenho filhos, marido ou sequer namorado. Para quem tem um dos três itens ou mais de um combinados, parece que estamos sempre à procura de alguém que nos complete para sermos felizes. Mas quer saber? Não estou nem aí para o que os outros pensam. Estudei muito para conseguir minha independência e com todos os sacrifícios do meu trabalho pago minha tevê a cabo e o IPTU da minha casa.

O que eu me pergunto é porque depois de tanto buscar a liberdade e o próprio espaço somos julgadas por estarmos sozinhas em nossas escolhas? Seria isso um defeito? Qual a necessidade de ter alguém para ser feliz? Se até minha vó aprova os lares de uma pessoa só, porque o restante da sociedade tem tanta dificuldade em aceitar quem chega a um restaurante e pede mesa só para um?

Independentemente do estado civil, viemos à vida e vamos embora dela sozinhos. Mais que estado de espírito, ser feliz sozinho é uma questão de sobrevivência. E, a partir do momento em que passamos a entender que já somos completos por nós mesmos, a companhia de outras pessoas será uma escolha e não necessidade. Quero estar cercada por pessoas que gostem de mim e não porque são obrigadas a estar aqui. Amor para entrar e liberdade em querer ficar.

Talvez o amor apareça na minha vida {ou volte a ela, já que ele esteve presente por aqui algumas vezes} ou talvez não. O que não posso é passar mais 30 anos da minha vida esperando para ser feliz. A felicidade é hoje e agora e só depende de mim. Se aparecer alguém, é porque eu mereço e não porque preciso e partir daí terei alguém comigo para acrescentar sua alma à minha e não para apenas dividir espaço.

E enquanto isso, abro um vinho e cozinho meu jantar. Para um.

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SobreCaubi

Paulista de sotaque e raízes caipiras. Aquariana, corinthiana, administradora, louca das plantas, eterna romântica e dona de casa amante de panos de prato, potinhos e canecas. Um pouco fotógrafa, aprendiz de escritora, cozinheira em evolução, artesã nas horas vagas e sempre otimista. Dramática e criativa, atravessando os 30 com histórias [quase] normais.

1 comentário

  1. Adorei o que voce descreveu. Gostaria de saber quem inventou isso, que para ser feliz precisa-se de um companheiro. A verdadeira felicidade é aquela que você tenha a sua propria liberdade de expressao, sentimentos e ações. Que você possa voar em direção das coisas belas que a vida te proporciona sem ter que ficar ligado em alguém. Beijosmeu amor!

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