O monstro do domingo

Do que você tem medo? Já parou para pensar? E se você fosse colocado frente a frente ao seu maior pesadelo? Como iria reagir? Ontem foi a minha resposta para todas estas perguntas. Imagine a cena: dez horas da noite de um domingo de calor. Estava de pijama com minha máscara facial deitada no sofá, pronta para ir para o quarto dormir quando, em um momento de distração, ouço um barulho de asas se debatendo no lustre do corredor. Levanto para olhar e eis que me deparo com uma barata! Sim, daquelas enormes, cascudas, voadoras e com antenas maiores que de parabólica. E ela estava tão à vontade em casa que saia voando de um lustre para o outro, pelas superfícies dos armários e paredes.

Entrei em pânico. Literalmente. Nunca tinha acontecido comigo. Fiquei em estado de choque, sem saber o que fazer, pois se eu fosse correndo atrás dela, ela ia sair voando em direção a mim, pular na minha cabeça ou se esconder na minha cama. Não sei. Nessas horas passa de tudo na cabeça. Não tinha veneno em spray em casa então o mais próximo que encontrei foi um desodorante aerossol. E um pano de prato. Afinal, não ia jogar um chinelo em direção ao meu armário branco porque se não acertasse a barata, ia ficar aquela marca para sempre lá.

Eu suava muito. Era o medo escorrendo pelo rosto e acho que a barata percebeu quando eu tentei dar o golpe. Joguei o pano de prato esperando que ela caísse morta no chão. Quanta inocência! Ela saiu correndo para baixo do sofá e ali ficou. Entre o sofá e tapete eu já não tinha mais nenhum plano. E se eu empurrasse o sofá e ela se agarrasse ao meu pé? Poderia acontecer. E se ela voasse e se prendesse ao meu cabelo? Tudo isso passou pela minha cabeça e o que decidi fazer foi o que qualquer pessoa madura que estivesse ali faria: comecei a chorar.

Mas não era um choro qualquer. Era choro de desespero. Subi no balcão da cozinha e ali fiquei. Chorando, suando e morrendo de medo. Poderia ficar ali em cima para sempre, até que a barata desistisse. Mas ela era persistente e quis fazer joguinho. Pensei em chamar alguém para me resgatar da barata. Mas quem? À noite não tem zelador, meu vizinho ainda não se mudou e não conheço ninguém do prédio o suficiente para me ver em pânico e de pijama rosa com estampa de porquinho.

Foi quando liguei para quem não iria negar meu pedido de socorro: minha mãe. Ela deve ter pensado que eu tinha perdido um dedo no mixer ou algo do tipo de tanto que eu chorava mas na verdade era o pânico de ter que conviver com a barata durante os próximos dias. Felizmente, ela e meu pai foram me salvar. Em alguns minutos meu pai chegou com o chinelo na mão afastando o sofá e minha mãe atrás dele com a vassoura, caso a barata resolvesse dar o bote. E ali estava ela, embaixo do sofá esperando o ataque quando BAM! Tomou uma chinelada e caiu dura, com a barriga para cima.

A casa ficou toda revirada mas conseguimos vencer o monstro voador e cascudo do mal! Ainda bem que pude chamar meus pais em um momento de pânico e que ele puderam me resgatar. Depois do susto, fiquei pensando o que aconteceria se minha mãe não pudesse me socorrer. Será que o Batman trabalha aos domingos? Alguém tem o telefone dele?

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    Paulista de sotaque e raízes caipiras. Aquariana, corinthiana, administradora, eterna romântica e dona de casa amante de panos de prato, potinhos e canecas. Um pouco fotógrafa, aprendiz de escritora, cozinheira em evolução e sempre otimista. Dramática e criativa, atravessando os 30 com histórias [quase] normais.

    5 thoughts on “O monstro do domingo

    1. maria jose

      não ligue pra mim! consegui sobreviver sem luz elétrica no deserto ( e eu tenho pavor de escuro ) mas uma barata ? uma só ? ate morta eu entro em pânico . Vc. não esta sozinha. e boa ideia! já que o chapolin colorado não pode mais nos salvar, vamos sim procurar o batman… bjs
      p.s. e não esqueça : limpe toda a casa com álcool rsrsrsr… ( elas são nojentas )

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    2. Maria Helena Goulart de Faria

      kkkkk…quase morri de tanto rir…deveria ter gravado as ligações e filmado a cena…foi demais…mas devo confessar também tenho pavor de baratas….kkkkk

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    3. Maria Luíza Goulart Palin

      Fiquei com muita dó de você. mas é um absurdo ela entrar no seu apto. tão alto que é. Também tenho pavor desse inseto. E é uma aberração para um dona de casa uma barata sem vergonha. Aqui no Rafael já entrou morcego. Eu morro de medo. Ainda bem queo o Fernandinho foi logo te socorrer. Mil beijos

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    4. Regina Silva

      Na minha casa sempre tenho pelo menos três mata monstros. Um na área de serviço, um no banheiro social e um no banheiro da suite. Assim, onde quer que eles surjam, sempre tenho uma arma por perto. kkkkkkkkkk. Só quem já passou por uma invasão dessas sabe o que é. E pra quem tem medo, tipo pavor/pânico, então!

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      caubi Reply:

      Verdade Regina! Só quem já passou sabe o pânico que é!
      Hoje mesmo vou comprar tampa para os ralos de casa e mata-inseto! Não tenho coração para um próximo ataque hahahaha

      Obrigada pela visita! 🙂
      Bjoooss

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