Do que você tem saudade?

Uma palavra, vários significados

Em tempos de distanciamento social, saudade é uma palavra forte. E quanto mais o tempo passa, mais saudade eu sinto.

Abraço, família, amigos, jantares, bar, pagode, viagem, passeios na praia, dança, show, aglomeração. Contato físico, olho no olho. Quanta saudade de tudo isso.

Do que você tem saudade?

Enfim, estamos há quase um ano vivendo em quarentena, isolados e ainda não compreendemos o verdadeiro significado e importância de pandemia.

Coincidência ou não, pandemia rima com empatia. Simpatia. E como temos dificuldade para entender a dor do outro.
Porque se fôssemos capazes de entender as lágrimas de saudade das outras pessoas, talvez o mundo não fosse ~ ou não estivesse ~ um lugar tão ruim assim.

E que vontade de transformar a minha saudade em encontro, contato físico e alegria.

Mas, enquanto isso não acontece, sigo torcendo e trabalhando a minha empatia. A minha capacidade para enxergar o mundo através do olhar do próximo e, antes de criticá-lo, compreender suas lutas e suas batalhas. Acredito que este seja um conforto para enfrentar a realidade.

Então, cultivo a minha empatia transformando-a em apoio, palavras de amor, suporte e ajuda. Porque mesmo à distância, nós podemos fazer a diferença na vida de alguém. Acredite. Se conseguirmos fazer a diferença na vida de uma única pessoa, a nossa vida já valerá a pena.

Do que você tem saudade?

E porque eu sei que tudo aquilo que eu ofereço posso um dia precisar também. E vai fazer a diferença na minha vida com certeza.

Que a gente não perca jamais a ternura e o amor no coração. Que a gente tenha piedade, compaixão e paciência. E que possamos transformar todos os bons sentimentos em fé e esperança para que em breve a saudade possa ser transformada em dias melhores e que possamos lembrar destes dias de pandemia como uma grande evolução e aprendizado.

    Esta não é uma despedida

    Bravo, rígido e sério mas com um coração enorme. Assim era meu avô, que tinha seu lugar marcado na enorme mesa de jantar da família e se sentava antes de todos, para começar a picar a salada antes de servir o almoço.

    Não misturava tomate com arroz e nos obrigava a tomar Biotônico ~ sem fazer careta ~ antes das refeições pra ficar forte. Amava os animais como ninguém e sua criação de cachorros da marca ‘fila’ (para ele era marca e não raça) era um de seus maiores xodós. Usava roupa social até aos domingos e conseguia reunir todos os netos no sítio nas férias de julho.

    Aprendi a amar a vida no interior com ele e a construir castelos de areia no tanque que ele montou para os netos no fundo da casa. Nunca irei me esquecer quando minha vó se preocupava quando ele subia no sofá para dar corda no relógio e sempre saía alguém correndo para ajudar a segurá-lo. Curtia assistir à novela das nove e se tivesse alguma conversa fora dos “reclames” ele aumentava o som sem dó de ninguém.

    Logo que aprendi a ler e escrever, sempre deixava um bilhetinho carinhoso ou um desenho colorido no meio da suas gavetas do escritório, só para ele ter uma surpresa para começar o dia e, tempos depois, descobri que ele guardava todos eles em uma coletânea dentro de seus livros com mensagens de fé e esperança.

    A dor da perda só é superada pelo conforto das boas recordações que tenho dele ao longo da minha vida. E lembrar dele é acalmar um coração cheio de saudade. Esta não é uma mensagem de adeus, mas sim um forte abraço de “até breve”. Porque enquanto a gente não se encontrar novamente, por favor olhe por nós.

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