O entardecer do renascimento

O dia que São Paulo parou para admirar

14 de abril de 2020. O dia que São Paulo parou e abriu a janela. Silenciou. E admirou.

E por um minuto a gente parou para olhar o céu e tudo aquilo que era angústia, por um minuto se tornou esperança.

O silêncio, que antes era uma preocupação, por um minuto se tornou uma prece. Uma prece para agradecer por mais um dia. Uma prece para ouvir o silêncio e, através dele, nos sentirmos mais perto de Deus.

Hoje foi o dia em que abrimos a janela da casa e junto com ela, abrimos uma janela para a fé, que nos fez acreditar em dias melhores. Fé de que tudo nessa vida é transitório e vai passar.

Eu duvido encontrar uma pessoa que não terminou o dia sorrindo ao encontrar o pôr de sol no horizonte. O sol que iluminou ao se despedir e abençoou a todos que ele encontrou pelo seu caminho. E sem filtro nenhum, nos fez acreditar que é possível sorrir novamente.

Em uma chuva de imagens, não consegui encontrar nenhuma que pudesse traduzir a verdadeira beleza de olhar com os olhos e sentir com o coração. Quem presenciou, se emocionou. Sim, é possível seguir o exemplo do sol: nascer e renascer. Refletir e brilhar. Silenciar e admirar.

Hoje, os sentimentos transbordaram do peito. E hoje me transbordam as palavras. Uma mistura de fé com gratidão, por estar viva e poder presenciar este milagre bem diante de mim.

Porque a combinação Deus e natureza é perfeita. E não há nada mais perfeito do que acreditar. Em tempos de solidão, Ele nos mostrou que nós não estamos sozinhos. Nunca estivemos sozinhos. Às vezes a gente esquece disso, mas Ele sempre dá um jeito de mostrar o contrário.

O sol nasce e o sol se põe para nos mostrar que sempre há mais um dia para a gente acreditar. Sempre há mais um dia para a gente ter fé e sempre é tempo para viver. E renascer.

Tudo vai ser diferente mas este 14 de abril nos mostrou que a vida pode ser melhor. Basta a gente acreditar.

Pare e respire. Sempre teremos o amanhã.

    Que tal mudar o foco?

    E se a gente mudar o foco, a perspectiva de (vi)ver a vida? E se pudéssemos, pelo menos por um dia, olhar para cima ao invés de olhar para baixo? Olhar para os lados e não ficar olhando sempre pra frente?

    A vida fora do comum pode ser incrível. E é. Há mais de vinte anos eu frequento o Parque do Ibirapuera em São Paulo e, pela primeira vez, vi paisagens incríveis. Saí daquilo que é rotina, das pistas de corrida, da ciclovia e da multidão; decidi entrar por entre as árvores: apenas eu e minha máquina fotográfica sem rumo ou caminho certo e planejado. E não tinha fones de ouvido pra ouvir música alta; o som era do próprio Parque, de sua paisagem e dos meus sentimentos, tudo misturado.

    O sol, as folhas e todos os detalhes de uma vida muito distante da rotina tumultuada da cidade. Distante de tudo o que vivo durante a semana. Por algumas horas pude quebrar a barreira da cidade cinza e mergulhar na paz do verde e da música do silêncio daquele ambiente único pode proporcionar.

    A energia é diferente. De repente todo o estresse vai embora junto com a poluição, relatórios, prazos, trânsito e mau humor. E tudo isso dá lugar à beleza das flores, das águas e das árvores. Por algum motivo começamos a enxergar que nossos problemas- e nós mesmos – somos pequenos demais comparados ao milagre ao nosso redor.

    E em todos estes anos, esta foi a primeira vez que entrei no Parque com o coração e os braços abertos. Sem esperar nada em troca. E foi incrível. A vida é realmente surpreendente se a gente mudar um pouco o seu foco; pelo menos de vez em quando.

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    Fotos tiradas em 07 de junho de 2013. Parque do Ibirapuera, São Paulo.

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