27 coisas que aprendi morando sozinha

 

27 de Agosto. Hoje é um dia doce, amargo, que carrega muita história e, acima de tudo, muito aprendizado. Fazem três anos que estou morando sozinha e este dia merece ser comemorado… parece que foi ontem que a vida virou de ponta cabeça e, ainda assim, uma eternidade para o tanto de transformações que aconteceram ao longo deste tempo.

Portanto, para marcar este dia, listei aqui 27 coisas que aprendi morando sozinha:

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1. Música serve para tudo: alegria, tristeza, faxina e cozinha;

2. Nunca vá ao mercado sem uma lista de compras. Ou com fome;

3. Mantenha sempre à mão o whatsapp do zelador;

4. Tire cópias da chave de casa e deixe com o familiar ou amigo mais próximo;

5. Existem comidas que estragam mesmo dentro da geladeira;

6. Arrumar a cama deixa sim a casa com aparência mais organizada;

7. É bom deixar a cama sem arrumar de vez em quando;

8. Há uma plantação de cabelos escondida no chão do banheiro;

9. Você acha normal conversar com a novela, com o filme e com o William Bonner;

10. Se você tem cozinha americana, evite fritar comida a não ser que você queira conviver com o cheiro espalhado por alguns dias pela casa;

11. Hoje eu entendo porque meu pai andava pela casa apagando as luzes;

12. Comer miojo todo dia enjoa até você se cansar do mesmo tempero cheio de sódio e gosto artificial;

13. Aí você começa a se arriscar na cozinha;

14. As receitas dão muito errado até dar certo;

15. É um prazer convidar os amigos para comer e beber em casa;

16. Você não tem hora para tomar banho;

17. Você não tem ninguém para te mimar quando estiver doente;

18. A louça não vai sair da pia enquanto você mesmo não lavá-la;

19. Você começa a vestir suas roupas de acordo com a programação da lavagem: três dias seguidos de peças brancas para aproveitar a máquina e otimizar a água e o sabão em pó;

20. Você sabe qual a diferença entre alvejante, amaciante e desinfetante;

21. Nasce um amor e cuidado pelas plantas e você passa a trocar as flores artificiais por naturais;

22. Você passa a frequentar reuniões de condomínio e entender porque o sorteio de vaga de garagem é motivo pra tanta briga em um prédio;

23. Você dá muito mais valor ao dinheiro e vira mão de vaca em diversos aspectos que antes você criticava;

24. Vinho resolve quase todos os problemas;

25. Às vezes o Netflix com pipoca é o melhor programa;

26. Você é a sua melhor (e também a pior) companhia;

27. Gastar com faxineira é o dinheiro mais bem empregado de uma casa.

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Que este seja só o começo de muitas lições e muita felicidade 🙂

    Abra os olhos

    Fechei os olhos. Estava cansada. Respirei fundo. E quando acordei, já tinham se passado três anos. O que eu fiz ao longo desse tempo todo que não vi o tempo passar? Em que momento deixei de cuidar da minha saúde, dos meus amigos, praticar esportes, ler livros e ligar para a minha vó?

    Se deixei de fazer tantas coisas importantes durante este tempo, o que estava fazendo afinal? Quais foram as coisas com as quais me ocupei que sequer me lembro de sua importância ao longo destes anos? Quantas vezes perdi o fôlego ou ri até a barriga doer? Não sei. Mas acredito que independente da quantidade, poderiam ter ocorrido mais vezes. Eu poderia ter deixado para lá muita coisa: brigas bobas, calorias de comidas ruins ou lágrimas por quem nunca mereceu que fossem derrubadas. Deixei de ver paisagens, visitar amigos, conhecer novas pessoas, começar um novo seriado e curtir um domingo de sol no parque só por causa da preguiça.

    Hoje, depois de tanto tempo percebo que nunca é tarde para mudar ou até mesmo recomeçar de onde paramos, de maneira diferente. Se arrepender faz parte do processo de aprendizagem mas insistir no erro é burrice e mostra total falta de coragem. Afinal, o que tem impede de começar? Será que o medo é maior que a recompensa que possa aparecer?

    Será que vale a pena ficar pensando no “e se…” ao invés de arriscar, tentar e se arrepender por ter feito depois? Realmente tenho dúvidas e hoje penso cada vez menos em hipóteses. Viver com suposições e incertezas é muito subjetivo e o medo de algo dar errado nos faz perder algo que possa ser realmente incrível. É preciso parar de achar que a tentativa pode dar errado. Às vezes a gente precisa deixar o cérebro de lado e usar mais o coração. Você já pensou que pode dar certo? E se der muito certo?

    Na dúvida, abra os olhos, conte até dez e vá. Porque se fechar os olhos pode perder o que vem pela frente.

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      Sobre o dia de hoje

      25 de maio é uma data tão importante para mim quanto meu aniversário ou Natal: é o dia que representa a maior mudança e transformação na minha vida. Há três anos atrás eu saí da casa dos meus pais e, logo no meu primeiro dia de “casa nova” decidi criar um diário eletrônico ~ o blog ~ para contar as aventuras que iria passar como dona de casa novata. Entre aprender a diferença de amaciante para desinfetante e viver o que achava que seria o amor para uma vida, passaram-se três meses e me vi sozinha.

      O clichê de ser trocada pela estagiária – que a gente acha que só via em novela – era então uma realidade que eu teria que lidar junto com as contas da casa e tudo o que a gente nunca acha que vai passar. Mas passa, acredite. Com a ajuda da família, amigos, colegas de trabalho, psicóloga, cartomante, faxineira e por aí vai. A gente sobrevive, renasce e inexplicavelmente fica melhor como nunca pensávamos que poderia acontecer.

      E ao longo dessa transformação pessoal, veio a transformação do blog. Mais que um diário, isto aqui se tornou uma válvula de escape para meus problemas e aflições e descobri que não estava sozinha no mundo. Todo mundo já teve desilusão amorosa, queimou aquela peça de roupa favorita no ferro ou já perdeu o horário de chegar ao trabalho. E o blog veio para representar tudo isso: o que acontece na minha rotina provavelmente já deve ter acontecido com você e, de alguma forma os leitores se identificaram com as histórias, crônicas e as receitas do Peu e da San.

      Para lembrar com nostalgia e carinho, separei alguns momentos desses três anos de blog para deixar registrada a felicidade do dia de hoje.

      O primeiro aniversário do blog, no meu apartamento antigo. Muitas lembranças e choros de tristeza e alegria, sempre com pessoas queridas me apoiando.

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      Alguns meses depois, chegou o momento de mudar de casa e começar a reescrever a minha história. Mas claro, fizemos um bota fora para comemorar.

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      E veio a minha segunda casa, só minha e das pessoas que eu amo em volta.

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      E que também virou estúdio de gravação para nossos vídeos. Muita bagunça, fritura e risada.

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      Ano passado comemoramos o segundo aniversário do blog, com muitos doces feitos pela Cozinha da San.

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      SONY DSCE ontem foi o dia de comemorar mais um ano de blog: 3 anos surpreendentes e incríveis de muito carinho. Fizemos um pic nic em um parque e contamos com a colaboração de receitas de nossos convidados e amigos, que foram essenciais para o desenvolvimento do blog ao longo destes anos. Devo tudo à equipe que sempre me acompanha e acredita nas minhas ideias loucas e aos leitores, que incentivam e mantém nosso trabalho.

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      Quando a vida te vira do avesso, você já parou para pensar que talvez o avesso seja o lado certo? 🙂
      Nada acontece por acaso, acredite nisso e continue fazendo o bem que uma hora, você irá colher todos os frutos em forma de amor e carinho.

      Obrigada por estes 3 anos!

        E as malas estão prontas

        Com as malas prontas, o Peu está mudando de casa. Vem aí, muita história pra contar.

        Por Peu.

        “Estão bem cheias e pesadas; muito mais do que quando saí da casa dos meus pais. Cheguei com tão pouco e em tão pouco tempo acumulei tanta coisa que é difícil explicar de onde vieram.

        Foi tudo organizado com muito carinho e cuidado, aliás tudo parecia já ter um espaço reservado. Uma boa parte de tudo, veio de amigos e pessoas com quem tive a sorte de conviver. Algumas adquiri sozinho e também tem aquelas que não tenho certeza de como chegaram até mim. Mas no final não importa, são todas minhas e fazem parte de mim.

        É verdade também que algumas coisas ficaram para trás. Algumas no decorrer desses poucos anos, outras no momento em que decidi me mudar. O estranho é que parece que mesmo tendo sido excluídas, elas ainda exercem certo poder sobre o peso da mala. O que no final das contas é até bom.

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        O peso dessas malas não se pesa em balanças, mas sentimos em nossas costas e tudo que as enche é o que nos preenche. Bagagem feita de recordações, experiências e aprendizados. Malas que não precisam de espaço no porta-malas e que quanto maiores e mais cheias melhor.

        Espero que os próximos anos tragam tantas coisas boas quanto os últimos. O fato de mudar nos faz parar um pouco e apreciar o passado, presente e criar novas expectativas para o futuro e hoje estou feliz com tudo o que vejo.

        Você está feliz com o que vê?

        Grande Abraço e até a próxima provavelmente diretamente da ‘antiga casa nova’).”

          A lua e eu

          Semana eu estava estendendo a roupa no varal (ah a rotina de dona de casa…), perdida entre meus pensamentos, ansiedades e as meias brancas, quando me distraí por um segundo e olhei para o céu através da janela escondida da lavanderia.

          Foi quando perdi todo o foco para me encantar pela lua que brilhava no céu. Apaixonante. Hipnotizante. Eram quase onze e meia da noite, de um céu pós-chuva, cheio de nuvens e sem nenhuma estrela para lhe acompanhar. E mesmo assim, era noite de lua cheia: única, soberana e espetacular em uma cidade que parecia já adormecida.

          Não sei se naquela noite mais alguém abriu a janela para admirar a lua do mesmo jeito que eu admirava. E entre tantos sonhos e aspirações, eu podia ouvir o barulho dos carros na rua, dos alarmes disparando, dos cachorros latindo e dos aviões passando. Mas, ao mesmo tempo, podia ouvir o silêncio e a calmaria transmitida pela luz da lua, refletida através de meus olhos.

          Na verdade, a lua não se importava se existia alguém ali, olhando para ela. Pouco se importava também se estivesse sozinha, sem a presença de estrelas. E o mais incrível é que não importa o que aconteça, a lua nunca deixa de aparecer. Mesmo em noites de neblina, ela está sempre lá. Mas quando ela aparece, é sempre para brilhar. Ela não se importa em dividir seu espaço com estrelas, nuvens ou cometas pois sabe que o céu é generoso e grande demais e sempre haverá espaço. A lua sabe de sua importância para nós durante a noite mas tem a maturidade e humildade para ceder seu lugar durante o dia pois também sabe da importância do sol.

          Afinal não sei se a lua é muito diferente de mim: ela também tem suas fases, metamorfoses e transformações porque acredita que a vida seja um ciclo infinito e que é preciso se renovar sempre. Precisamos acreditar que a próxima fase é sempre melhor que a anterior e que o passado será um aprendizado para que possamos ser melhores no futuro. Minguante. Nova. Crescente. Cheia.

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          “Eu prefiro ser
          Essa metamorfose ambulante

          Do que ter aquela velha opinião
          Formada sobre tudo” Raul Seixas.