Sobre o vício de ser pessimista

Aquele dia em que o despertador já avisa logo cedo: vai ser difícil. E não é preciso nem abrir os olhos para lembrar tudo o que precisa ser feito, enfrentado e lutado nesta segunda-feira. Levantar é um sofrimento e parecemos que estamos iniciando uma batalha para conseguir sair de casa e encarar a vida: trânsito, trabalho, problemas e por aí vai.

Mas, você já parou para pensar que os nossos problemas talvez possam ser apenas um ponto de vista ao invés de ser sempre um fardo a ser carregado? E se pudéssemos mudar o ângulo e enxergar tudo aquilo que é desagradável com outros olhos para torná-los menos dolorosos – uma vez que, independentemente da dor ou de seu tamanho, precisam ser feitos?

Nós temos {me incluo nessa} o péssimo hábito de reclamar de tudo. Sim, literalmente de tudo. Quando está frio demais, calor demais, chovendo demais ou sol demais. Tempo seco, úmido ou polar. Se acordamos cedo demais ou atrasados demais ou quando dormimos demais. E quando está trânsito? Reclamamos por causa de excesso de veículos, do acidente de moto, ou da greve ali na frente. É ruim quando o chefe está ao lado ou quando está a quilômetros de distância. Reclamamos porque o supermercado está com preços caros demais mas também ficamos insatisfeitos quando não encontramos o que comer na geladeira.

E, de repente, o dia chegou ao fim. E não aproveitei o que ele me ofereceu de bom. Não vi o sol aparecer ou se por. Não aproveitei o frio para colocar as mãos nos bolos do meu casaco mais quentinho. Não ouvi minha música favorita no rádio do carro para me distrair do trânsito. Não aproveitei um bate papo com o meu chefe para saber como anda meu desempenho no trabalho ou então não utilizei o tempo em que ele esteve fora para demonstrar meu comprometimento.

Também não experimentei nada de diferente na cozinha com os ingredientes que eu já tinha e terminei o dia comendo comida congelada; ou pior: de delivery. Na verdade nem pensei em abrir o fogão e fui direto ao telefone ligar para a pizzaria mais próxima.

Não aproveitei meu dia com o que ele me ofereceu de bom. Estava ocupada demais reclamando de tudo o que havia de ruim que poderia ter acontecido. E, pra falar a verdade, muito daquilo que planejei do que poderia dar errado, nunca aconteceu. Nem hoje, nem ontem ou anteontem. E eu perdi meu tempo de otimismo sendo pessimista.

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    Paulista de sotaque e raízes caipiras. Aquariana, corinthiana, administradora, eterna romântica e dona de casa amante de panos de prato, potinhos e canecas. Um pouco fotógrafa, aprendiz de escritora, cozinheira em evolução e sempre otimista. Dramática e criativa, atravessando os 30 com histórias [quase] normais.

    3 thoughts on “Sobre o vício de ser pessimista

    1. maria jose ramos

      Oscar Wilde disse um dia : ” A vida é muito importante para ser levada a sério”.
      Menos cara amarrada, mais sorrisos por favor, não se leve tão a serio… a vida é importante demais para ser gasta com pessimismo e tem janelas demais , não precisamos sentar e olhar somente por uma janelinha rsrsr…
      Lindo texto !

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