Sobre a vida. E a morte.

A vida e sua mania de ser surpreendente. Imprevisível e totalmente inevitável. Intensa e, ao mesmo tempo, curta. Finita. Muitas vezes, insuficiente.

Como explicar aquilo que nos parece inexplicável sobre a vida? E porque pensamos sobre isso apenas quando estamos tão perto da morte? Eu acredito que a morte seja apenas um momento de passagem para algo muito maior que a própria vida; mas então porque sou egoísta em querer manter todos por aqui?

Em alguns casos, a morte pede licença. Bate à porta, pede para entrar e nos permite despedir. E nestes casos, ironicamente, a morte é remédio, solução e cura tanto para quem vai, tanto para quem fica. Mas existem situações em que a morte é rude, grosseira: chega sem ser convidada, nos pega de surpresa e nos deixa completamente sem reação. Às vezes ela vem acompanhada da revolta, do silêncio e outras vezes do arrependimento. Daquilo que dissemos quando estávamos nervosos ou de tudo o que não dissemos quando e era tarde demais. O quanto amávamos, o quanto queríamos nos desculpar ou o quanto o passado ficou no passado. Nada disso importa mais.

A dor é o que sobra e aos poucos dá lugar à saudade. Saudade de tudo o que fica e o aperto no coração por aqueles que foram embora, até que um dia tudo vira lembrança e, de certa forma, nossos corações ficam – finalmente – em paz.

E ao longo de tantas despedidas, aprendi a não deixar passar mais nada. Não deixo para depois a vida, as palavras e os sentimentos. Desapego do dicionário do “e se”, do “talvez” e do “deixa para depois”. Depois pode ser tarde; ou pode ser nunca mais. Obviamente não posso deixar de viver a vida para planejar a morte. Mas posso conviver com a vida sem temer a morte.

Ser leve e fazer o que tiver vontade. Dizer, abraçar, amar, perdoar. Seguir adiante. Ou não deixe para amanhã ou deixe para lá. Porque quem não vive, a cada dia morre um pouco e deixa um sonho para trás.

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    Paulista de sotaque e raízes caipiras. Aquariana, corinthiana, administradora, eterna romântica e dona de casa amante de panos de prato, potinhos e canecas. Um pouco fotógrafa, aprendiz de escritora, cozinheira em evolução e sempre otimista. Dramática e criativa, atravessando os 30 com histórias [quase] normais.

    3 thoughts on “Sobre a vida. E a morte.

    1. maria luiza goulart palin

      Maravilhoso o seu texto. As suas colocações foram lindas e reais. Temos mesmo que aprender a lidar com todas essas situações, e com essa realidade. Mil beijos Tia Bioca

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    2. Maria Cleo Goulart

      Muito lindo seu texto . Nos faz refletir ,sobre alguns sentimentos como :
      desapego, amor ,egoísmo ,medo .A morte sempre nos causa um certo desconforto ,
      e você a coloca com muita lucidez e tranquilidade . Parabéns é disso que necessitamos.
      Beijos mil.

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