Sobre as desculpas que a gente inventa

Viagens, reuniões, trabalho. Academia, mercado, aula de inglês. Filhos, gripe e cansaço. Muito para fazer e quase nunca sobra aquele tempinho para encontrar as pessoas entre nossas tarefas diárias.

Somos atropelados pela rotina e a tecnologia se torna cada vez mais uma desculpa para adiarmos o encontro entre olhares e abraços: telefone, email, mensagem e whatsapp. Tenho amigos que não vejo pessoalmente há meses mas falo pelo celular quase que todos os dias.

Sinceramente, acho fica faltando alguma coisa; a mensagem nos aproxima de quem está longe mas também deixa um espaço em branco para aqueles que estão perto. Um olhar, um toque, uma risada. Ver um amigo é muito diferente do que falar com um amigo. É a presença que faz toda a diferença: a leveza do encontro e a satisfação de estar junto.

Mais do que estar sempre online, eu preciso estar perto daqueles que fazem parte da minha vida, nem que seja esporadicamente. E quem quer estar comigo, sempre dá um jeito de fazer acontecer. Sair para jantar, tomar um café, ir ao cinema, andar no parque ou um “tô passando aí”. Existe frase melhor do que “estou com saudades”?

Nessa correria de muitos compromissos para poucas horas, talvez seja um privilégio ter com quem se encontrar no final do dia, conversar olho no olho e tocar nas mãos do outro. Talvez seja isso que nos falte para tornar os dias menos difíceis e as vidas menos amargas. A doce voz de um amigo resolve quase tudo – porque aquilo que a conversa não resolve, o abraço com certeza vai dar conta de solucionar.

Acredite: aquele que tem um tempo para te encontrar na alegria com certeza será aquele que irá te encontrar e te dar apoio na tristeza. Estas pessoas são raras no mundo e são aquelas de maior valor. Valorize aquele que te quer na sua vida. Porque quem quer, arranja um jeito. Quem não quer, arranja uma desculpa.

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    Paulista de sotaque e raízes caipiras. Aquariana, corinthiana, administradora, eterna romântica e dona de casa amante de panos de prato, potinhos e canecas. Um pouco fotógrafa, aprendiz de escritora, cozinheira em evolução e sempre otimista. Dramática e criativa, atravessando os 30 com histórias [quase] normais.

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